Desemprego duplicou em Soure

. quarta-feira, 12 de setembro de 2007
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Número de desempregados no distrito aumentou 54 por cento entre os homens e 21 por cento entre as mulheres entre 2000 e 2005, revela estudo do Centro de Estudos Sociais. Fim dos contratos é causa mais frequente. Metade não recebe qualquer subsídio.
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Entre 2000 e 2005, o número de desempregados no distrito aumentou 54 por cento entre os homens e 21 por cento entre as mulheres, revela um estudo do Centro de Estudos Sociais. Segundo os dados ontem divulgados, a população feminina e os adultos dos 35 aos 54 anos são os mais afectados. O termo de contratos é apontado como motivo mais frequente da ruptura do vínculo laboral.
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Em Soure, o desemprego masculino quase duplicou durante o período considerado, registando um aumento de 94 por cento. Por sua vez, entre as mulheres, é Mira o concelho que apresenta resultados mais críticos, com um acréscimo de 43 por cento no desemprego feminino, indica o estudo coordenado pelo investigador Pedro Hespanha.Os resultados apontam também para a diminuição simultânea das ofertas de emprego e da taxa de preenchimento dos lugares disponíveis. De acordo com dados relativos a 2005, o número de colocações efectivas entre os desempregados registados no distrito situava-se nos 14 por cento, ficando por satisfazer cerca de 39 por cento das vagas.Por outro lado, o estudo conclui que mais de metade dos desempregados não recebe qualquer subsídio decorrente da sua situação laboral. Em Dezembro de 2004, a percentagem média de subsidiados entre os homens atingia os 48,7 por cento, valor que decresce para os 41,9 por cento quando considerado o desemprego feminino.Já no que respeita aos níveis de pobreza, os dados respeitantes a 2005 denunciam uma prevalência no distrito de situações de privação extrema superior à percentagem nacional. À data, existiam em Coimbra 8576 pessoas beneficiárias do Rendimento Social de Inserção (índice de pobreza extrema), perfazendo 1,9 por cento da população residente, valor que supera em quatro pontos percentuais o resultado nacional. Segundo o Centro Distrital da Segurança Social, metade desses subsidiados tem menos de 18 anos.
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“Império em ruína”
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«Mas mais que o desemprego, é a qualidade do emprego o grande problema», alertou Pedro Hespanha. Quando considerada a pobreza relativa entre os trabalhadores por conta de outrem a partir dos rendimentos declarados à Segurança Social, mais de metade das mulheres residentes no distrito de Coimbra (53 por cento) auferia menos de 500 euros, o limiar estabelecido a partir dos critérios do EUROSTAT (rendimento inferior a 60 por cento da mediana do rendimento nacional). Por sua vez, o número de homens na mesma condição atingia os 43 por cento. O concelho com pior resultado é Tábua, onde 73 por cento das trabalhadoras e 64 por cento dos homens empregados se encontravam abaixo desse patamar.Para além de números, o estudo lança também mais de 100 propostas para a elaboração de um plano de desenvolvimento social estratégico em concertação com os actores institucionais e com os cidadãos. «A própria sociedade tem de olhar para a situação e parar de desqualificar os trabalhadores manuais e de sobrevalorizar os títulos académicos», desafiou Pedro Hespanha, para quem as políticas de emprego são «muito pouco eficientes».No mesmo sentido, o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal, o padre Jardim Moreira, fez um apelo à «coragem dos partidos». «Temos de criar um novo paradigma social. Subsídio, rendimento mínimo e futebol são a “chapa batida” do império em ruína», ironizou.
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O papel da formação
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Já o director do Centro Distrital da Segurança Social, Mário Ruivo, mostrou-se mais optimista. «Não temos de esconder a cabeça na areia», lançou o responsável, enfatizando a importância de um reforço das protecções sociais que não prejudique a economia. «Sem essa preocupação as empresas fecham e temos problemas cada vez maiores», justificou.Na definição de soluções, o representante do Instituto do Emprego e Formação Profissional, António Costa, sublinhou a importância da aposta na formação. «A sustentação da empregabilidade tem de se fazer em relação com os níveis de escolarização. Cerca de 70 por cento dos desempregados registados não possuem qualquer qualificação», defendeu.O papel das empresas foi outro dos pontos mais focados, nomeadamente pelos responsáveis sindicais. O representante da CGTP, António Moreira, lembrou que nos últimos dez anos Coimbra perdeu 100 empresas, correspondendo a um total de dez mil trabalhadores. «É urgente que o Estado faça um trabalho de prevenção», para que «as empresas possam fugir a tempo ao espectro do encerramento», alertou António Moreira, desafiando também as empresas a «combater os contratos a prazo».Em resposta ao repto, o representante da Associação Comercial e Industrial de Coimbra, Ferreira Ramos, lembrou que «nenhum empresário vai fazer contratação de uma pessoa que necessita apenas por esse motivo». «As empresas são muitas vezes prejudicadas porque não contratam os melhores», frisou, acrescentando que «a não alteração do limite constitucional do despedimento com justa causa não permitirá uma melhoria na situação do emprego».Uma crítica que suscitou a indignação da representante do Sindicato dos Têxteis, Fátima Carvalho. «Nenhum empresário tem dificuldades em despedir. A legislação laboral não é um impedimento do desenvolvimento económico», ripostou, salientando a necessidade de as empresas concertarem esforços, por exemplo através da criação de redes de comercialização.O estudo foi ontem apresentado no âmbito do seminário “O impacto do (des)emprego na pobreza e exclusão no distrito de Coimbra”, que decorreu no Centro de Formação de Artesanato, na Pedrulha.