Comércio justo é alternativa para "consumo responsável"

. quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
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Carina Fonseca
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O comércio justo está em expansão em Portugal. Já há cerca de dez lojas a funcionar, mas esta forma de economia alternativa - assenta no respeito pelos direitos humanos e pelo ambiente e supõe uma atitude de consumo responsável - inclui uma série de "actividades invisíveis", explica Celina Santos, da Acção para a Justiça e Paz (AJP), Organização Não Governamental para o Desenvolvimento sediada em Soure, concelho de Coimbra.
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"O comércio justo é uma forma de escoar produtos feitos pelos países mais pobres com justiça", resume Celina Santos. Termos como solidariedade, sustentabilidade ou igualdade de géneros são familiares àqueles que se movem nesta rede. É que o comércio justo procura fixar uma relação de paridade entre os participantes na cadeia comercial produtores, trabalhadores, importadores, lojas e consumidores.
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Mas "não é correcto colocar o comércio justo ao lado dos movimentos de caridade", alerta Cláudia Simões, da Cooperativa Planeta Sul, responsável por uma loja destes produtos, na Baixa de Coimbra. "Esta é uma forma de comércio como outra qualquer - apenas tem na base questões humanas. O preço justo de um produto é aquele que cobre os custos de produção e deixa uma margem considerável para levar as crianças à escola, por exemplo. No comércio tradicional paga-se o mínimo ao produtor para cobrar o máximo ao consumidor", observa.
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Mas pode o comércio justo ser viável? Cláudia Simões acredita que sim. "Não é utópico. É uma questão de justiça e de menor ganância", assegura, ao balcão da loja colorida, onde abundam produtos alimentares (os mais procurados) e artigos de artesanato oriundos da América Latina, de África, da Ásia. Celina Santos, da AJP, tem opinião idêntica "As alternativas que tentam formas de fazer mais justas e dignas vão vingar. O comércio justo faz parte do futuro".
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Pobreza não é fatalidade
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A venda de artigos é a face mais visível do comércio justo, mas não a única. A AJP, por exemplo, aposta na vertente da educação para o desenvolvimento. Isto traduz-se em oficinas de sensibilização para as desigualdades entre os países e para as alternativas ao comércio convencional junto de escolas. As oficinas seguem um percurso pedagógico a que os mais novos não ficam indiferentes, contam as responsáveis Celina Santos e Sandra Silvestre.
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"Tentamos que as pessoas percebam que há fenómenos que estão a manipular a pobreza. Ela não é uma fatalidade!", explica Celina Santos. "Colocar os alunos no lugar das pessoas excluídas resulta numa aprendizagem muito forte", conta. E recorda o momento em que uma aluna desabafou "Não sabia que o mundo era tão injusto!".
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A Cooperativa Planeta Sul também trabalha, em escolas, no sentido da sensibilização. A parte mais física do comércio justo é veículada através de pequenos armários com produtos, mas também há palestras e outras acções. "Os mais novos são extremamente abertos", confirma Cláudia Simões.
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Existem já cerca de dez as lojas espalhadas pelo país, além de outras organizações ligadas ao comércio justo, que chegou a Portugal há quase uma década. Apesar disso, "a maioria das pessoas ainda não tem hábitos de consumo responsável enraizados e compra o que é mais barato", lamenta Cláudia. Mas há quem adquira, regularmente, artigos "justos". No caso da Planeta Sul, são sobretudo mulheres das classes média e média alta. "O consumo, no comércio justo, é um acto consciente", frisa Sandra Silvestre.
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In Jornal de Notícias