Tentou matar a filha e enforcou-se a seguir

. segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
  • Agregar a Technorati
  • Agregar a Del.icio.us
  • Agregar a DiggIt!
  • Agregar a Yahoo!
  • Agregar a Google
  • Agregar a Meneame
  • Agregar a Furl
  • Agregar a Reddit
  • Agregar a Magnolia
  • Agregar a Blinklist
  • Agregar a Blogmarks


Uma menina de 10 anos foi, ontem de manhã, esfaqueada pelo próprio pai, momentos antes deste pôr termo à vida enforcando-se na varanda da casa onde ambos viviam na aldeia da Granja do Ulmeiro, Soure. A Polícia Judiciária está a investigar.
.
O alerta foi dado às 08.58. Olinda Rodrigues, bombeira, seguia para o quartel dos Voluntários de Soure quando viu o homem suspenso, na varanda, pendurado numa corda. De imediato a accionou os meios de emergência. Quando chegaram ao número 25 da Rua do Comércio, encontraram um drama ainda maior. Uma menina de dez anos com vários ferimentos, alegadamente desferidos por uma faca de cozinha. Tinha cortes nos pulsos e no pescoço. Quando os bombeiros a descobriram ela estava embrulhada num cobertor, ao lado da cama do seu quarto. Perguntou de imediato pelo pai.
.
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Soure, Carlos Luís Tavares, que se deslocou ao local descreve o cenário: "A menor tinha hemorragias abundantes, conseguimos estancar-lhe o sangue, estava consciente, um pouco apática, perguntava pelo pai", contou ao DN. Depois de devidamente "estabilizada e orientada", foi transportada para o Serviço de Urgência do Hospital Pediátrico de Coimbra, onde ainda ontem foi submetida a uma intervenção cirúrgica. Segundo familiares próximos, que não se quiseram identificar, não corre perigo de vida.
.
Pai - Mário Marques Ruivo, de 68 anos - e filha moravam sozinhos naquela casa da Granja do Ulmeiro.
.
A mãe, Fernanda Pratas Ferreira, de 36 anos, estava em litígio declarado com Mário e tinha saído de casa há algum tempo. Segundo o DN apurou, o sexagenário, já reformado, tinha problemas de saúde e andava a ser seguido no Instituto Português de Oncologia de Coimbra. O reformado terá pretendido chamar a atenção ainda na noite de sábado. Ligou para o telemóvel da antiga companheira e mãe da filha de ambos.
.
A mulher, que agora vive com outro indivíduo noutra aldeia, ouviu a mensagem ameaçadora e comunicou à GNR de Soure. Ontem à tarde, depois de ter visitado a filha no hospital, Fernanda contou a sucessão de acontecimentos: "Eram 18.00 quando recebi a mensagem no telemóvel. Ele dizia que já tinha morto a filha e a seguir era ele." Segundo relatou. "a GNR encontrou-o alterado mas foi-se embora. Hoje [ontem] fui à GNR para ver se tirava a minha filha dele e eles disseram-me o que se tinha passado. Já vim tarde para buscar a minha filha", diz visivelmente abalada mas sem encontrar explicação para o sucedido.Segundo o comandante dos Voluntários de Soure, dentro da casa "estava uma mangueira de gás cortada e a botija aberta".
.
No entender de Carlos Tavares, a habitação estava pejada de sangue "pois a menina terá andado à procura do pai". Mário Marques Ruivo usou uma cadeira para se erguer, atou-se a uma corda num dos patamares da escadaria do prédio e ter-se-á desequilibrado propositadamente da cadeira. "Havia cartas em cima da mesa da cozinha, escritas pelo senhor que morreu, a justificar o porquê de matar a criança", assegura o comandante. O cadáver de Mário Ruivo foi transportado para a delegação do Instituto Nacional de Medicina Legal da Figueira Foz. O comandante dos Bombeiros de Soure revelou ao DN que, logo na manhã de ontem, contactou os responsáveis do gabinete local da Comissão de Protecção de Menores para acompanhar o percurso de vida da menina. "Também accionámos os serviços sociais da autarquia para ver qual o passo seguinte".
.
A Polícia Judiciária de Coimbra investiga agora o caso.
.
O DN contactou a GNR de Soure para obter esclarecimentos sobre o sucedido mas um responsável do posto, que não se identificou, recusou prestar quaisquer declarações.
.
In Diário de Notícias