Bocage com raízes sourenses

. sábado, 29 de março de 2008
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Autor de versos 'imorais', não casou nem deixou descendência
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Nascido em Setúbal a 15 de Setembro de 1765, Manuel Maria Barbosa du Bocage viveu nessa cidade a sua infância, onde estudou as primeiras letras, latim e humanidades e, muito novo, assentou praça no regimento de infantaria.
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Aos 14 anos foi estudar para Lisboa, para a Academia Real da Marinha e, depois, para a Academia dos Guarda Marinhas. Nomeado guarda-marinha em 1786, partiu para o Rio de Janeiro e, depois, para a Índia.
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Em 1789, foi promovido a tenente da 5.ª companhia da guarnição de Damão, cargo que abandonou, indo para Macau. De lá voltou para Lisboa em 1790. Aqui ingressou como poeta na Nova Arcádia, onde usava o pseudónimo de Elmano Sadino. Envolveu-se em querelas literárias e publicou poemas considerados imorais, que o levaram à prisão em 1797.
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Ganhou a vida como tradutor de poetas franceses, latinos e italianos, e com a sua própria obra, que editou entre 1791 e 1804. A partir de 1800, a doença e a pobreza levaram-no à decadência e à morte, em Lisboa, em 1805. Não casou nem deixou descendência. Teve cinco irmãos.
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O pai do poeta, José Luís Soares Barbosa, nasceu em Setúbal, em 1728. Bacharel em Direito por Coimbra, foi juiz de fora em Castanheira e Povos, cargo que exercia durante o terramoto de 1755, que arrasou aquelas povoações.
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Em 1765, foi nomeado ouvidor em Beja. Acusado de ter desviado a décima enquanto ouvidor, possivelmente uma armadilha para o prejudicar, visto ser próximo de pessoas que foram vítimas de Pombal, o pai de Bocage foi preso para o Limoeiro em 1771, nunca chegando a fazer defesa das suas acusações.
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Com a morte do rei D. José, em 1777, dá-se a "viradeira", que valeu a liberdade ao pai do poeta, que voltou para Setúbal, onde foi advogado.
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A mãe de Bocage, Mariana Joaquina Caetana Xavier Lestoff du Bocage, nasceu em Lisboa por volta de 1725, provavelmente na freguesia da Encarnação, pois os seus pais viviam na Rua das Flores.
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O seu pai morreu tinha ela três anos, pelo que sua mãe, viúva e com duas filhas, foi viver para Setúbal, de onde era natural. Casou com o pai do poeta em Setúbal, em 1758, onde morreu durante a prisão do marido.
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Foi avô paterno do poeta Luís Barbosa Soares, nascido em São Julião, Lisboa, em 1686. Foi proprietário do ofício de tabelião judicial e das notas da vila de Setúbal, onde casou com Eugénia Maria Inácia, natural desta cidade, filha de Domingos Fernandes Bispo, marítimo de Setúbal.
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O bisavô paterno de Bocage foi João Antunes Barbosa, que nasceu em Soure, em 1646, foi soldado nas guerras da Restauração, tendo casado com Bárbara Soares, de Lisboa.
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Foi avô materno do poeta Gilles Hedoix du Bocage, militar francês ao serviço da armada portuguesa, que se estabeleceu definitivamente em Lisboa em 1720, quando contava 62 anos e onde casou com Clara Francisca Joaquina Xavier Lustoff, de apenas 20 anos, de quem teve duas filhas, morrendo em 1727. A sua viúva nunca mais casou, tendo ido viver para Setúbal. Era filha do cônsul da Holanda, Leonardo Lestoff, estabelecido em Setúbal, onde era comerciante e proprietário, e de sua segunda mulher, Luísa Van Zeller.