Garantir democracia nos partidos

. quinta-feira, 9 de outubro de 2008
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António Mota, Ex-dirigente do PRD lançou um blogue em que divulga um sistema novo para se aprofundar a democracia e a eficácia na escolha de dirigentes partidários e governantes. E deixa ali uns parágrafos de Ramalho Eanes, que lhe respondeu, no ano 2000, à carta em que expunha a versão inicial do projecto.
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Numa época em que se elogia a reedição do livro de Tocqueville Da Democracia na América, António Mota, que esteve no PRD desde a criação até à extinção do partido eanista, lançou um blogue (http://www.26-abril.blogspot.com/) com as suas propostas para a democratização interna dos partidos políticos portugueses.
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Técnico oficial de contas, votou sempre no PS até ler uma entrevista em que Manuel Alegre dizia nunca ter sido tão humilhado, nem sequer nos tempos do fascismo. O poeta queixava-se da forma como tinha sido relegado para uma posição secundária na lista de deputados por Coimbra, onde António Mota então residia - e ainda tem emoldurados, na sua casa de Paço de Arcos, os cartões de sócio da Académica e do União de Coimbra, do ACM e do Aero Clube de Coimbra. Nessa altura, surgia o Partido Renovador Democrático (PRD), criado sob a égide do então presidente da República, Ramalho Eanes (que o viria a liderar, em 1986-1987), e com um discurso sobre a moralização da política que lhe garantiu, em 1985, quase 18 por cento dos votos.
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"Nunca vi ética nenhuma no PRD", afirma, peremptório, António Mota, que aderiu logo em 1985. "Nas salas da distrital de Coimbra havia mais fotos do general Eanes do que as que Mao Tsé- -Tung tinha na China. Secretamente, ia-as retirando e guardando. E, numa convenção [o equivalente aos congressos], no Hotel Roma, em Lisboa, só pensei que alguém iria puxar da pistola." Mesmo assim, foi "o último a sair". No ano 2000, quando o partido era liderado por Vargas Loureiro (que faleceria nesse ano), "apareceu um grupo que queria continuar o PRD e pagava as dívidas". António Mota ainda integrou o Conselho Nacional de transição, até que a imprensa "revelou que aqueles indivíduos eram da extrema-direita, como viemos a confirmar (alguns deles acabariam por formar o PNR), e o partido acabou sem glória".
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Nessa época, já este sportinguista e apreciador de ópera tinha apresentado um esboço do seu projecto, mas foi considerado utópico - embora, na época, tenha recebido uma carta de Ramalho Eanes, que tem emoldurada na sala.
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No fundo, o seu sistema é simples. "Antes de eleger as pessoas, há que eleger o programa." Depois, "seja doutorado ou pedreiro, todos entram pela base, que deve ser o núcleo de residência, e vão sendo eleitos sucessivamente para os patamares superiores". Isto é "começar de base, que é como se constrói a casa ou corre o rio". Desta forma, garante, teremos "as elites a governar, da junta de freguesia à Administração central".
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Por não se seguir este método, argumenta, "o actual sistema orgânico de um partido é igual ao da União Nacional [o partido único do salazarismo], cuja cúpula em Lisboa designava o presidente da Câmara Municipal de Soure" - a vila onde nasceu, a 12 de Abril de 1947, apesar de ter desenvolvido a sua vida em Coimbra até 1993, quando se mudou definitivamente para Lisboa. "A única diferença - além da liberdade de expressão - é que, em vez de uma, há sete ou oito Uniões Nacionais."
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Ao ver uma entrevista de Medina Carreira na televisão, resolveu fazer o blogue. Depois, enviou cartas a divulgar o seu sistema a uma centena de individualidades: Cavaco Silva e os líderes dos partidos com assento parlamentar, deputados, personalidades como Almeida Santos ou Adriano Moreira, colunistas como Pacheco Pereira ou Miguel Sousa Tavares, directores de jornais.
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"Desde 2000 que não voto em partidos, porque sei como são feitas as listas. Somos lacraus uns para os outros. Só votei no referendo do aborto e nas presidenciais." Vegetariano e desportista (pratica esqui e vela, BTT e parapente, natação e corrida), mesmo sem ser um Alexis de Tocqueville, António Mota pode estar a lançar uma reflexão em torno Da Democracia em Portugal.
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In Diário de Notícias
by jornalista Fernando Madail, e da fotógrafa, Natacha Cardoso
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>>António Mota sobre o seu blog: "O conteúdo deste blog é rigorosamente apartidário, não colide com os princípios ideológicos, ou programáticos, de qualquer Partido Político. Apenas pretende propor à sua reflexão um sistema novo que proporciona mais democraticidade à escolha política intra-partidária.">>>
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Mensagens de cortesia recebidas das seguintes Individualidades da vida pública Portuguesa:
- Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva - Presidente da República;
- Dr. Jaime Matos Gama - Presidente da Assembleia da República;
- Prof. Doutor Adriano Moreira - Presidente da Academia de Ciências de Lisboa;
- Dr. António Costa - Presidente da Câmara Municipal de Lisboa;
- Dr. Bernardino Soares - Presidente do Grupo Parlamentar do PCP;
- Dr. Luís Filipe Menezes - Presidente da Câmara Municipal de V. N. Gaia;
- Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa - Comentador Político;
- Dr. Mário Soares - Presidente da Fundação Mário Soares;
- Dr. Paulo Rangel - Presidente do Grupo Parlamentar do PSD.
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Saiba mais no blog: (http://www.26-abril.blogspot.com/)

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Resposta do Sr. António Mota depois de indagado para sabermos um pouco de mais um sourense a viver fora da sua terra natal:
"Meu Caro Amigo Sourense,...Sou Sourense há 61 anos, nasci na vila mais linda que conheço, e satisfaz-me ver o seu excelentíssimo progresso, pese embora nós desejarmos sempre mais e mais.

Desde os 12 anos que "emigrei", primeiro para Pombal, durante 2 anos, onde iniciei os meus estudos no Ciclo Preparatório do antigo Curso geral do Comércio; e depois, para Coimbra, onde concluí o referido curso, de mais 3 anos.

Entretanto, desde 1993 que me desloquei para Lisboa, residindo em Paço de Arcos desde 1998.

Visito Soure regularmente, onde tenho diversa família, nomeadamente, os meus pais, António Mota (reformado da EDP) e de minha mãe, Maria Isabel Carvalho Azevedo.

Tenho analisado as suas publicações na net, e, conforme lhe disse, passei a sentir-me bem informado sobre Soure e os Sourenses.

Parabéns pelo seu trabalho! Bem-haja! Continue!

Um bom abraço do seu conterrâneo


António Mota"