Soure: Idosa estava sentada ao pé do borralho e terá caído em cima do fogo

. sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
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Palmira Monteiro tinha 94 anos. "Quase 95, precisou um dos filhos, José Filipe. Morreu ontem carbonizada na lareira de sua casa no Cercal, concelho de Soure. Era a mulher mais velha da aldeia; pelo menos é isso que pensa a vizinha, Lídia Morgado, que habita a moradia da esquina, travessa perpendicular à rua onde morava Palmira. "Há aí mais três mulheres com idades entre os 90 e os 93 anos", explicava enquanto lamentava a forma como a sua vizinha acabara de morrer."Ela já havia muito tempo que não saía de casa, mas gostava que a fossemos visitar. Lídia, de 76 anos, diz que a viu "há uns dias" e que "eram as noras que tratavam dela". O que aconteceu ontem não sabia. "Ouvi gritos e saí para ver o que se passava", foi assim que percebi "que Palmira havia morrido queimada na lareira".
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O alerta chegou aos bombeiros de Soure às 14.16. Seguiram 11 homens com quatro viaturas. Preparavam-se para combater um incêndio numa casa porque foi essa a informação transmitida pelo telefonema de quem estava a chamar os bombeiros; "um popular", explicaram ao DN na corporação. Como aconteceu a morte era uma incógnita para todos, apenas sabiam que encontraram o corpo de uma mulher carbonizado. Na casa ardeu o recheio da cozinha. O corpo foi transportado para o Instituto de Medicina Legal na Figueira da Foz.Os filhos da vítima, António e José Filipe, residem a poucos metros da mãe. Mas não conseguiam explicar o que acontecera. "Caiu para a lareira", era a única resposta que podiam adiantar. Cercal é uma aldeia pequena onde todos se conhecem. "Isto é uma grande tristeza", desabafava Lídia, enquanto ia contando como se vive na terra e se queixava do frio e da chuva. Mas é uma mulher "prevenida". Em sua casa não acende a lareira. Usa o aquecedor eléctrico e muitas roupas, "quentes".Vive numa terra onde "as pessoas têm de sair à procura de trabalho".
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É o caso dos seus familiares. Fala dos filhos, dos netos e dos bisnetos com grande desenvoltura e agradada com a forma [os seus] como conseguiram "resolver a sua vida". Não tem "aparelho", nem ouve rádio, mas sabe que há uma estação que emite em Soure e por isso julgou que os jornalistas que lhe apareceram à porta pudessem pertencer "à rádio". O seu tempo é ocupado a ver televisão. "É essa a minha distracção", conclui. E explica que "com este tempo não se pode andar na rua". Por isso, diz que fecha a porta para manter a casa aquecida. Terá sido essa a razão pela qual apenas se apercebeu da morte de Palmira "já estava muita gente aí na rua junto à porta". É uma casa térrea numa rua onde cabe apenas um automóvel e muito pouco iluminada.
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In DN