Esquartejou e congelou corpo da mãe

. domingo, 21 de junho de 2009
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Asfixiou a mãe com uma almofada, cortou-lhe o corpo com uma serra e congelou-o durante quase dez meses na arca frigorífica da casa onde os dois viviam, em Albergaria dos Doze, Pombal. Divergências familiares são o único motivo apontado para o comportamento de Abel Ribeiro, de 35 anos, já detido pela PJ de Coimbra.

Depois de ter estado emigrado em França e na Holanda, Abel regressou a Albergaria dos Doze há cerca de um ano e meio, tendo ido viver com a mãe, Maria Dias Leal, de 55 anos. Os desentendimentos entre os dois eram "constantes", segundo vizinhos, mas não foi no calor de mais uma discussão que Maria Leal foi assassinada. Abel Ribeiro terá planeado o crime. E concretizou-o numa manhã de Agosto de 2008, apesar de não conseguir agora apontar a data.

Logo pela manhã, pôs vários comprimidos para dormir numa bebida da mãe e passado algum tempo asfixiou-a usando uma almofada. A PJ está convicta de que terá ainda desferido várias pancadas na cabeça da vítima, mas só quando o corpo estiver completamente descongelado poderão ser analisadas as marcas na autópsia.

O autor do homicídio cortou depois o corpo da mãe pela zona das pernas, tendo utilizado uma serra, para conseguir colocá-lo em partes dentro da arca frigorífica. De seguida desfez-se de todos os objectos utilizados: deixou-os numa mata a dois quilómetros de casa, onde a PJ fez ontem buscas.

Sempre que alguém lhe perguntava pela mãe, respondia que estava "em França com o namorado". A chegada de familiares, há uma semana, desencadeou toda a investigação. O cadáver de Maria Dias Leal foi descoberto pela GNR na noite de terça-feira.

"DIZIA QUE ELA ESTAVA COM O NAMORADO"

Celeste Silva, amiga da vítima, tinha combinado ir com Maria Dias Leal à feira de São Mateus, a Soure, em Setembro do ano passado. Estranhou a ausência, mas acreditou na versão de Abel: "Dizia que ela estava em França com o namorado." O ex-marido de Maria Leal nunca acreditou na história, mas só há uma semana, com a chegada de familiares que a procuravam para falar sobre uma herança, "começaram a juntar tudo" e concluíram que "algo de estranho se passava". Celeste sabe agora que as queixas da vizinha faziam sentido. "Ela dizia que o filho era capaz de tudo."

PORMENORES

VÍTIMA ERA TAXISTA

Maria Dias Leal era taxista, mas desde que se separou, há cerca de cinco anos, terá deixado esta actividade.

DESEMPREGADO

O homicida confesso encontrava-se actualmente desempregado, mas trabalhou na construção civil. Esteve emigrado em França e na Holanda.

FILHA MENOR

Abel Ribeiro tem uma filha menor, fruto do seu casamento com uma mulher francesa. Segundo familiares, a criança encontra-se a viver com a mãe em França.

NOTAS

FILHO: INTERNADO EM FRANÇA

Abel Ribeiro afirmou às autoridades que esteve internado num hospital psiquiátrico em França, onde foi emigrante. As autoridades não têm a indicação de ter antecedentes criminais.

TRIBUNAL: PRESENTE HOJE A JUIZ

O homicida vai ser presente hoje à tarde ao juiz do Tribunal de Pombal, a fim de ser submetido a primeiro interrogatório judicial. O ‘CM’ apurou que assumiu o crime quando foi detido.

BENS: VENDIDOS NA ALDEIA

Vizinhos do homicida e da sua mãe estranharam quando o encontraram no largo da aldeia a vender a máquina de costura, uma panela de pressão, garrafas de gás e o órgão da mãe.

"AGRESSOR NÃO SENTE CULPA" (Vítor Amorim Rodrigues, Psiquiatra)

Correio da Manhã – O que pode motivar um crime destes?

– Os contornos desta história mostram que o agressor deverá sofrer de uma patologia grave da personalidade. É incapaz de ter sentimentos de culpa. São frequentes, nestes casos, ataques a familiares, vistos pelo psicopata como meros empecilhos.

– Há tratamentos médicos eficazes para estes casos?

– A experiência tem mostrado que, na idade adulta, quando a personalidade está cristalizada, é muito difícil haver resultados. Importa detectar os sinais da patologia que se manifestam desde a infância e agir o quanto antes.

FILHO CORTOU-LHE A CABEÇA

Dez dias depois de ter chegado à aldeia de Almaceda, Castelo Branco, João do Canto, 42 anos, chamou a PSP. Contou que tinha assassinado a mãe. Lucinda, 68 anos, foi morta à marretada, em casa, na Amadora, a 30 de Setembro de 2008. O filho cortou-lhe a cabeça e guardou-a no congelador. Levou o resto do corpo para o seu apartamento de Sintra e cobriu-o de espuma. A seguir partiu para Almaceda. Aguarda julgamento no Hospital-prisão de Caxias.

Paula Gonçalves / J.C.M.